A intenção do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) de disputar novamente o governo de Goiás em 2026 soa mais como uma tentativa de reinserção no cenário político do que propriamente como um projeto sólido de retorno ao poder. O tucano marcou para 27 de setembro, no Clube Jaó, em Goiânia, um encontro com correligionários — na maioria, ex-ocupantes de cargos públicos que hoje estão à margem da política goiana. O gesto indica mais um esforço de rearticulação do que o lançamento de uma candidatura viável, sobretudo num contexto em que o PSDB perdeu densidade eleitoral e influência no Estado.
Apesar de seu histórico de quatro mandatos como governador, Marconi enfrenta hoje uma realidade completamente diferente daquela que o consagrou nas urnas em décadas anteriores. Seu grupo político não se renovou, e os principais nomes que o acompanharam ao longo do tempo foram perdendo espaço, relevância e, principalmente, capilaridade eleitoral. A força política que um dia moveu a máquina tucana em Goiás se dissolveu com o tempo, e o partido, atualmente, carece de lideranças com apelo popular e de estrutura financeira minimamente compatível com uma disputa majoritária.
Além disso, Marconi Perillo carrega passivos significativos de sua última gestão. Os problemas administrativos e, principalmente, os jurídicos que marcaram seu final de governo permanecem vivos na memória do eleitorado e da imprensa. Em uma eventual campanha, todos esses pontos seriam inevitavelmente revisitados, fragilizando ainda mais sua imagem perante um eleitor que já não demonstra o mesmo entusiasmo de outrora. O desgaste acumulado é um fardo pesado para quem deseja voltar a comandar o Estado.
Sem estrutura partidária, sem base social consolidada e envolto em um passado que ainda cobra explicações, Marconi se apresenta, hoje, mais como uma sombra de seu próprio legado do que como uma alternativa real de poder. A reunião convocada para setembro pode até mobilizar nostálgicos, mas dificilmente será capaz de reorganizar um projeto político consistente. Em um cenário onde a política exige renovação, clareza de propostas e capacidade de articulação, a tentativa do tucano parece fora de tempo — e, talvez, de propósito.