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Política

Senador bolsonarista reconhece que oposição não tem força para derrubar Moraes

Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, admitiu que a oposição no Senado Federal não reúne 54 votos contra Alexandre de Moraes, número mínimo necessário para aprovar o impedimento do ministro do STF. Segundo o bolsonarista, insistir nessa pauta é perda de tempo

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Ciro Nogueira, um dos mais ferrenhos aliados de Jair Bolsonaro, admite que oposição não tem votos para cassar Alexandre de Moraes

Em uma rara demonstração de realismo político, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e figura central no núcleo de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, admitiu ao site Metrópoles o que muitos no Congresso já sabem, mas poucos verbalizam: não há votos suficientes no Senado Federal para cassar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. A declaração de Nogueira escancara o abismo entre o discurso inflamado da oposição bolsonarista e a aritmética política que rege as decisões institucionais em Brasília.

Segundo o líder do PP, são necessários 54 votos no Senado para aprovar um eventual processo de impeachment contra ministros do STF — número inalcançável para uma oposição que, embora barulhenta, é numericamente minoritária. Ciro reconhece que insistir nessa pauta seria desperdício de capital político e perda de tempo. Mais que isso: sua fala revela uma guinada pragmática, distanciando-se do radicalismo inconsequente que tem marcado parte da direita brasileira nos últimos anos.

Ao colocar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no centro da discussão, Nogueira também destaca outro aspecto central: a prerrogativa exclusiva da presidência da Casa em dar andamento a pedidos de impeachment. E, segundo ele, Alcolumbre não apenas não tem disposição para acionar esse mecanismo, como não o faria mesmo diante de um número recorde de assinaturas. Essa é uma realidade institucional que desmonta as fantasias golpistas de setores mais extremistas.

A declaração de Ciro Nogueira deve ser lida como um recado direto ao núcleo mais radical da base bolsonarista, que insiste em pautas sem viabilidade política ou jurídica. Ao assumir uma postura mais sóbria e estratégica, o senador sinaliza que parte da oposição pode estar disposta a atuar dentro dos limites da governabilidade e do equilíbrio entre os Poderes, abandonando — ao menos por ora — a retórica da ruptura e do confronto institucional.

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