A entrevista concedida pelo vereador do PL Oséias Varão (foto) ao Jornal Opção acabou por confirmar aquilo que analistas políticos já vinham apontando nos bastidores: a insistência do senador Wilder Morais, presidente estadual da sigla, em manter sua pré-candidatura ao governo de Goiás em 2026 parece mirar muito mais adiante, com foco na preservação de capital político para uma eventual disputa em 2030.
Ao reconhecer que a candidatura própria serve para manter o protagonismo eleitoral do PL no estado, Varão praticamente admite que a corrida deste ano tem mais um caráter estratégico de manutenção de visibilidade e recall eleitoral para o líder da legenda, do que propriamente uma esperança de vitória.
Na prática, a fala do vereador expõe as divisões internas do próprio PL goiano. Parte do partido defendia uma composição com a base governista liderada por Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela (MDB), priorizando a eleição ao Senado — projeto que tem o deputado Gustavo Gayer como principal aposta da legenda. Outra ala, no entanto, insistiu na candidatura própria ao governo, mesmo diante de um cenário eleitoral adverso. Ao admitir que a prioridade real do partido seria eleger Gayer para a Câmara Alta, Varão deixa claro que o debate interno não se restringe a uma disputa de estratégia, mas envolve o cálculo sobre onde o partido teria reais chances de vitória.
Talvez o ponto mais revelador da entrevista seja o reconhecimento explícito da força do grupo governista. Ao lembrar a alta aprovação de Ronaldo Caiado — que, segundo pesquisas, alcança índices próximos de 88% — Varão admite que será extremamente difícil derrotar a base governista nas urnas.
“Se observarmos o histórico das eleições no Estado de Goiás, e também em outros estados, percebemos: quando um governador possui índices de aprovação tão elevados, normalmente consegue eleger seu sucessor”, frisou, admitindo, ainda, que o governador pode ajudar a eleger os dois nomes ao Senado da sua base.
O raciocínio de Varão é claro ao admitir que a probabilidade de que Caiado consiga transferir capital político e eleger seu sucessor, o vice-governador Daniel Vilela, é muito grande. Nesse contexto, a candidatura de Wilder parece menos uma tentativa real de vitória e mais um movimento para manter o PL em evidência no tabuleiro político goiano para as próximas eleições.
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