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Política

História de Iris desafia narrativa do PL em Goiás

Cresce, nos bastidores, a avaliação de que o resgate permanente da trajetória de Iris Rezende nos eventos do PL pouco dialoga com a base bolsonarista e acaba reforçando o legado do MDB em Goiás

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Iris Rezende Machado foi duas vezes governador de Goiás e quatro vezes prefeito de Goiânia

Nos bastidores do PL goiano, começa a ganhar corpo um incômodo silencioso, mas cada vez mais perceptível, em relação à estratégia adotada por Ana Paula Rezende, pré-candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Wilder Morais. A insistência da filha de Iris Rezende em resgatar, em praticamente todas as agendas públicas, o legado político do ex-governador e ex-prefeito de Goiânia estaria provocando desconforto entre pré-candidatos proporcionais e lideranças mais identificadas com o bolsonarismo raiz.

Para analistas políticos ouvidos pela coluna, a memória do emedebista não dialoga nem com o eleitorado mais radical, nem tampouco com a corrente ideológica do próprio PL. A avaliação predominante é que a história de Iris Rezende guarda muito mais afinidade com o MDB de Daniel Vilela do que com o projeto político representado pelo bolsonarismo. Afinal, Iris permaneceu durante 56 anos nas fileiras emedebistas, sem jamais trocar de legenda, transformando-se em um dos principais símbolos do partido no Estado.

Mais do que isso, sua trajetória foi marcada pela resistência ao regime militar. Cassado em 1969, por força do Ato Institucional nº 5, Iris tornou-se vítima direta do autoritarismo instaurado após 1964. O consenso é que há uma evidente incoerência em tentar vincular sua memória a setores políticos que relativizam ou minimizam os excessos da ditadura.

A leitura, nesse sentido, é que a estratégia de Ana Paula acaba produzindo um efeito contrário ao desejado. Em vez de fortalecer a candidatura liberal, acaba por reforçar atributos historicamente associados ao MDB e, por consequência, ao atual grupo governista.

Legado emedebista

A exaltação das políticas habitacionais implementadas por Iris ao longo dos seus mandatos, por exemplo, inevitavelmente remete o eleitor a programas semelhantes desenvolvidos pela atual gestão de Daniel Vilela (MDB), como o programa “Casas a Custo Zero”.

Nesse contexto, cresce entre bolsonaristas a percepção de que o discurso repetido à exaustão por Ana Paula, além de pouco efetivo para mobilizar a base ideológica do PL, pode estar contribuindo mais para enaltecer o legado emedebista do que para impulsionar o projeto eleitoral de Wilder Morais.

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