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Política

A crise de lideranças da direita expõe Caiado como alternativa consistente

A oposição brasileira terá de decidir se pretende insistir em candidaturas dependentes de símbolos, sobrenomes e paixões ideológicas ou se buscará um nome respaldado por experiência administrativa e capacidade demonstrada de gestão pública

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Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado é pré-candidato a presidente da República pelo PSD

A sucessão presidencial de 2026 expõe uma contradição curiosa no campo da oposição ao presidente Lula. À exceção de Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, os demais postulantes ao Palácio do Planalto parecem representar caricaturas de candidaturas presidenciais, muito mais sustentadas por circunstâncias políticas, radicalismos ou heranças eleitorais do que por efetiva experiência administrativa e capacidade comprovada de gestão.

Embora evite o confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL), líder nas pesquisas do campo conservador, Caiado é o único nome da oposição que reúne atributos concretos para reivindicar, com substancial propriedade, a condição de presidenciável. Médico, ex-senador e duas vezes governador de Goiás, encerrou sua passagem pelo Executivo estadual com índices elevados de aprovação – 88%, segundo a Quaest – e uma narrativa ancorada em resultados administrativos nas áreas de segurança pública, educação, saúde e equilíbrio fiscal.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro enfrenta o peso de uma candidatura cuja principal credencial continua sendo o sobrenome que carrega. Sem experiência no Executivo, o senador fluminense chega à disputa impulsionado pelo capital político herdado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua pré-campanha, contudo, passou a conviver com o desgaste provocado pelas revelações envolvendo Daniel Vorcaro e o escândalo do Banco Master.

Reportagens recentes apontaram contatos do parlamentar com o ex-banqueiro para obtenção de recursos destinados ao filme “Dark Horse”, episódio posteriormente admitido pelo próprio senador, que negou qualquer irregularidade.

Nomes periféricos

Outros nomes da direita tampouco conseguem romper a condição de alternativas periféricas. Renan Santos, oriundo do MBL, aposta na radicalização como instrumento de diferenciação política.

Romeu Zema, dúvida no seu próprio estado, por sua vez, parece sustentar a expectativa de herdar o espólio eleitoral bolsonarista caso Flávio enfrente dificuldades maiores, cenário que, até aqui, permanece incerto.

O paradoxo é que o sentimento antipetista ainda mantém Flávio Bolsonaro competitivo, mesmo diante dos desgastes recentes. Mas competitividade eleitoral não se confunde com aptidão para governar.

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