A nova pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (1º), acendeu um sinal importante no tabuleiro da sucessão presidencial. O levantamento mostra o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), numericamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno: ambos aparecem com 43% das intenções de voto. O dado reforça uma percepção que já vinha sendo observada por analistas políticos: entre os nomes colocados no campo da direita, Caiado desponta como um dos candidatos com maior capacidade de enfrentamento eleitoral contra Lula em uma disputa direta.
O contraste fica ainda mais evidente quando comparado ao desempenho de Flávio Bolsonaro (PL). Na mesma pesquisa, o senador aparece com 40% – quatro pontos a menos do que na sondagem anterior – contra 45% de Lula em uma eventual segunda etapa da eleição. A conclusão parece relativamente simples: o problema de Caiado não está no segundo turno. O problema é chegar até ele. E é justamente nesse ponto que reside a principal contradição de sua estratégia política. Na tentativa de não criar atritos com o eleitorado bolsonarista mais radical, o ex-governador tem evitado confrontos mais contundentes com Flávio Bolsonaro, apostando numa convivência pacífica dentro do mesmo campo ideológico.
É preciso calibrar a rota
Entretanto, especialistas observam que essa cautela pode estar produzindo o efeito inverso ao desejado. O núcleo mais radical do bolsonarismo, estimado pela pesquisa Quaest em 12% do eleitorado brasileiro, dificilmente migrará para qualquer outro nome que não carregue diretamente o sobrenome Bolsonaro. Trata-se de um eleitorado de forte identidade política e baixa propensão à mudança de voto. Nesse cenário, insistir em disputar a preferência desse segmento pode significar desperdiçar energia política. O eleitor que efetivamente pode decidir uma eleição não é o bolsonarista militante, mas o conservador, liberal ou simplesmente antipetista que busca uma alternativa competitiva para enfrentar Lula.
É justamente aí que Caiado parece precisar recalibrar sua rota. Ao invés de falar para um eleitor que já fez sua escolha emocional e ideológica, o ex-governador teria mais chances de crescimento se direcionasse sua mensagem ao contingente da direita pragmática, preocupado com gestão, segurança pública, estabilidade institucional e capacidade administrativa.
O principal ativo político de Ronaldo Caiado sempre foi a imagem de independência moral, firmeza administrativa e experiência de governo. Se pretende transformar competitividade eleitoral em viabilidade real de segundo turno, talvez precise deixar mais clara a diferença entre sua trajetória e os desgastes que cercam o bolsonarismo, incluindo controvérsias recentes que atingem Flávio Bolsonaro.
Sem estabelecer esse contraste de forma objetiva, corre o risco de permanecer preso a uma disputa por um eleitorado que dificilmente abandonará sua preferência original. E, nesse caso, continuará falando para uma plateia que já está decidida, enquanto os votos que realmente podem levá-lo ao segundo turno seguem à procura de um destino político.
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