Wilder Morais (PL), candidato ao governo de Goiás, parece adotar a velha régua dos dois pesos e duas medidas. O senador se jacta de ter assinado pedido de impeachment de Alexandre de Moraes e cobra explicações sobre as suspeitas envolvendo o ministro e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
A premissa é legítima: autoridades devem satisfação quando pairam dúvidas sobre sua conduta. O problema é o silêncio de Wilder diante das suspeitas que alcançam Flávio Bolsonaro, presidenciável de seu próprio partido, também citado em relações e negociações milionárias envolvendo Vorcaro.
Se, como afirma Wilder, “a lei precisa estar acima de todos, não apenas de forma seletiva”, a máxima deveria valer também para aliados. Não há coerência em exigir rigor contra Moraes e contemporizar quando o personagem sob suspeita veste a camisa do PL.
Para quem pretende governar Goiás, probidade não pode ser argumento de conveniência eleitoral. Ou o princípio vale para adversários e correligionários, ou deixa de ser princípio e passa a ser apenas instrumento de combate político.
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