Ao anunciar apoio à reeleição de Daniel Vilela (MDB), em detrimento do candidato de seu próprio partido, o preeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), não tratou sua escolha como simples conveniência eleitoral. Deu a ela sentido político e moral: afirmou que estar “do lado certo” significa assumir posições publicamente, com transparência, coragem, gratidão e lealdade. “Continuo do lado certo. E meu lado certo hoje é estar do lado de Daniel para governador”, declarou. Foi além ao condenar a dubiedade de quem tenta sobreviver eleitoralmente mantendo “um pé em cada canoa”. Para o prefeito, o lado certo “não tem dois lados”.
O movimento é emblemático porque ultrapassa os limites de uma adesão municipal. Márcio governa Anápolis, uma das maiores cidades do Estado, e ocupa posição de destaque dentro do próprio PL. Ao romper a lógica partidária para apoiar Daniel, reforça a percepção de que a eleição goiana possui dinâmica própria, pouco subordinada à polarização nacional.
Corrêa também verbaliza o argumento central da campanha governista: segundo ele, o eleitor deseja a continuidade do governo de Ronaldo Caiado e enxerga em Daniel o nome capaz de representá-la. Quando uma liderança expressiva do PL prefere o candidato do MDB ao postulante da própria legenda e ainda classifica essa decisão como estar “do lado certo”, o gesto produz um constrangimento político difícil de ignorar.
Mais do que um apoio conquistado por Daniel, é uma dissidência que expõe as dificuldades do PL em manter unida sua própria base em Goiás.
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