O debate promovido pelo Mais Goiás na noite de quinta-feira (17) produziu confronto, acusações e frases sob medida para alimentar as redes sociais. O que não produziu foi uma novidade capaz de alterar a essência da disputa pelo governo de Goiás: a oposição continua procurando um argumento suficientemente consistente para confrontar o discurso de continuidade apresentado pelo governador Daniel Vilela (MDB). O encontro reuniu Daniel, Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luís César Bueno (PT) durante cerca de uma hora e meia.
Daniel suportou a pressão natural de quem ocupa o governo e virou alvo preferencial dos adversários. Marconi procurou o confronto direto, sobretudo em saúde, obras e situação financeira. Houve troca de acusações e até o pouco sofisticado “deixa de ser mentiroso, rapaz” disparado pelo tucano. O problema político para Marconi é que qualquer discussão sobre gestão inevitavelmente coloca também seus próprios governos sob escrutínio. Criticar o presente é legítimo; convencer o eleitor de que o passado oferece uma alternativa melhor é uma tarefa bem mais complicada.
Wilder percorreu caminho diferente. Cobrou Daniel na saúde, defendeu sua atuação parlamentar, citou emendas e voltou ao Fundeinfra. Também reafirmou posições sobre câmeras corporais e aproveitou discussões nacionais para defender seu campo político. Luís César, por sua vez, tentou estabelecer o contraponto pela esquerda, atribuindo ao governo Lula participação relevante nos investimentos realizados em Goiás e defendendo maior presença federal no desenvolvimento estadual.
O debate, portanto, entregou munição para militâncias, cortes de vídeo e torcida organizada. Mas não há base para afirmar que, sozinho, tenha alterado o cenário eleitoral. Às vésperas do encontro, a pesquisa Goiás Pesquisas/Mais Goiás mostrava Daniel com 43,9%, Wilder com 17,9% e Marconi com 16,9%, estes dois tecnicamente empatados.
A questão política que permanece para os adversários é mais profunda: ataques existem, candidatos também; o que ainda precisa aparecer é uma narrativa de mudança capaz de disputar, com fatos e propostas, a preferência de um eleitorado que até aqui tem colocado o governador na liderança das pesquisas.
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