A crise do PL goiano ganhou contornos ainda mais duros. Em vídeo publicado nesta sexta-feira (4), o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, atacou diretamente Wilder Morais, acusando o senador de se distanciar da população e comandar um “projeto falido”, um “barco que está afundando”. Ao rebater a provocação de Wilder de que seria um político “sabor direita”, Corrêa devolveu com ironias como “sabor Moraes”, “sabor Messias”, “sabor rabo preso” e “sabor preguiça”.
Mais que uma troca de farpas, o episódio revela uma fratura política relevante: o principal prefeito do PL em Goiás, gestor do terceiro maior colégio eleitoral do Estado, agora questiona publicamente a capacidade de liderança e o desempenho eleitoral do próprio presidente estadual da legenda.
O embate torna-se ainda mais incômodo para Wilder porque Márcio procura disputar com ele as credenciais de direita. Mesmo apoiando a reeleição de Daniel Vilela, o prefeito reafirma apoio a nomes do campo conservador e explora episódios delicados da trajetória do senador: sua atuação em favor da indicação de Alexandre de Moraes ao STF e a ausência na votação que rejeitou Jorge Messias, indicado por Lula à Corte.
Ao abrir processo disciplinar contra Corrêa, Wilder pretendia enquadrar uma dissidência; acabou dando ao prefeito um palanque para expor contradições e fragilidades de sua candidatura. Quando um correligionário de peso passa a chamar o projeto majoritário do partido de “barco que está afundando”, a crise deixa de ser apenas interna e passa a contaminar a própria narrativa eleitoral.
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