Três anos após sua partida, a trajetória de Dona Íris de Araújo permanece viva na memória política de Goiás e do Brasil. Ex-primeira-dama do Estado e de Goiânia, ela transformou o papel historicamente protocolar em espaço de protagonismo, ação social e afirmação feminina.
Ao longo de mais de cinco décadas de vida pública, construiu um legado que ajudou a abrir portas para que mulheres ocupassem, com legitimidade e força, os centros de decisão. Emedebista raiz, forjada nas lutas democráticas, Dona Íris foi peça central, ao lado do marido, Iris Rezende Machado, na consolidação de um projeto político comprometido com a redemocratização do País.
Dona Íris foi uma das poucas mulheres a discursar no histórico ato das Diretas Já, em abril de 1984, na Praça Cívica, em Goiânia, quando cerca de 300 mil pessoas foram às ruas naquele que se tornou o primeiro grande clamor popular pelo fim da ditadura no Brasil. Em 1994, integrou a chapa majoritária do MDB para a presidência da República, sendo a primeira mulher a disputar a eleição presidencial.
Deputada federal por dois mandatos, alcançou votações recordes em 2006 e 2010, demonstrando que sua liderança extrapolava o simbolismo e se traduzia em respaldo popular. Também ocupou o Senado em duas ocasiões, como suplente de Maguito Vilela, mantendo firme sua atuação parlamentar.
Em 2009, entrou para a história como a primeira mulher a dirigir o MDB nacional, coroando uma trajetória marcada por coragem e articulação política.
Nascida em 7 de maio de 1943, em Três Lagoas (MS), Dona Íris faleceu aos 79 anos, em 21 de fevereiro de 2023, pouco mais de um ano após a morte de Iris Rezende, companheiro de 57 anos de casamento.
Sua ausência é sentida, mas seu exemplo permanece. Mais do que ocupar cargos, ela ocupou espaços — e ensinou que a política também é território de sensibilidade, firmeza e compromisso com a emancipação plena das mulheres brasileiras.
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