O novo levantamento Goiás Pesquisas, divulgado nesta terça-feira (8), joga um balde de água fria sobre a estratégia de Wilder Morais (PL) de transformar a eleição estadual numa extensão da polarização nacional. O senador apostou quase exclusivamente no voto ideológico e na associação de sua candidatura ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Os números, porém, sugerem que essa fórmula não apenas deixou de produzir crescimento como coincide com um recuo expressivo.
Wilder caiu 5,5 pontos desde 14 de agosto, passando de 18,9% para 13,4%. No mesmo período, Daniel Vilela (MDB) avançou 5,4 pontos, de 37,2% para 42,6%. O movimento amplia a distância entre os dois e coloca em dúvida a capacidade do discurso nacionalizado de romper a dinâmica própria da eleição goiana. Há razões políticas para isso. Historicamente, a disputa pelo governo de Goiás tem sido fortemente condicionada pela avaliação da administração estadual.
Em 2022, Ronaldo Caiado venceu no primeiro turno mesmo enfrentando adversários identificados com o bolsonarismo, então eleitoralmente forte no Estado. A lógica do incumbente também pesa: eleições com um governante buscando novo mandato tendem a assumir caráter plebiscitário, no qual o eleitor julga essencialmente se deseja continuidade ou mudança.
E é justamente aí que reside a maior dificuldade de Wilder. Daniel tem 64% de aprovação, segundo a Quaest, enquanto Caiado supera 75%; além disso, 77% defendem a manutenção do modelo de gestão, ainda que com melhorias. Nesse ambiente, ideologizar a eleição pode mobilizar uma parcela fiel do eleitorado, mas parece insuficiente para construir maioria.
Eleitor adota pragmatismo local
Contra uma gestão bem avaliada, um candidato precisa apresentar razões concretas para a mudança, projeto próprio e capacidade de convencer além de sua base. Em eleições estaduais e municipais, as demandas por soluções gerenciais e políticas públicas focadas em problemas práticos superam a cor política.
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