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Política

Terceira derrota consecutiva expõe o esgotamento eleitoral de Marconi Perillo

Com apenas 8,69% dos votos válidos na eleição para o Palácio das Esmeraldas, ex-governador enfrenta dúvidas sobre seu espaço na política goiana após mais um fiasco nas urnas

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Quatro vezes governador, Marconi Perillo amargou um vexatório 4º lugar na última eleição para o governo de Goiás

O resultado das urnas impôs a Marconi Perillo (PSDB) uma derrota que vai muito além de uma eleição perdida. Governador de Goiás por quatro mandatos e principal protagonista da política estadual durante duas décadas, o tucano terminou a disputa de 2026 num surpreendente e vexatório quarto lugar, com apenas 8,69% dos votos válidos. Seus pouco mais de 315 mil votos o deixaram atrás até de Luís César Bueno (PT), que alcançou 9,82%, e representam praticamente a metade da votação obtida por Marconi na disputa pelo Senado em 2022.

É a terceira derrota consecutiva do ex-governador em eleições majoritárias — Senado em 2018 e 2022 e governo em 2026 — e, provavelmente, a mais emblemática delas. Marconi entrou numa disputa para a qual não dispunha da estrutura política e partidária que marcou seus tempos de poder e apostou essencialmente no recall de quatro governos. Descobriu nas urnas, porém, que memória eleitoral não significa necessariamente saudade eleitoral.

A questão agora é saber se o resultado representa o encerramento de sua trajetória nas urnas ou apenas mais um capítulo dela. A política goiana registra exemplos de líderes que souberam se reinventar depois de derrotas e perda de protagonismo. Iris Rezende encontrou na Prefeitura de Goiânia um caminho para renovar sua liderança; Maguito Vilela fez movimento semelhante em Aparecida de Goiânia.

Para Marconi, entretanto, qualquer reinvenção exigirá enfrentar um problema que sua campanha de 2026 não conseguiu resolver: o passado é, simultaneamente, seu maior patrimônio e seu principal obstáculo. É ele que mantém seu nome conhecido, sustenta um núcleo de eleitores e ainda lhe confere relevância; mas é também esse passado que alimenta uma rejeição persistente e estabelece um teto aparentemente cada vez mais baixo.

Com os 315 mil votos de 2026, Marconi chegou a um ponto de inflexão. Se insistir numa nova disputa majoritária sem reconstruir bases, renovar discurso e reduzir rejeição, corre o risco de transformar uma biografia de quatro mandatos de governador numa sucessão de derrotas. A reinvenção é possível; as urnas mostraram que a repetição da velha fórmula, não.

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