Um episódio revelador marcou os debates na Câmara Municipal de Goiânia, na última terça-feira (3), sobre a proposta do vereador Fabrício Rosa (PT) de homenagear as torcidas antifascistas do Atlético Goianiense, Vila Nova e Goiás Esporte Clube.
Durante a discussão, vereadores identificados com o bolsonarismo fizeram uma associação tão surpreendente quanto constrangedora: interpretaram a homenagem ao movimento antifascista como um ataque político ao bolsonarismo.
O vereador Oseias Varão (PL), derrotado na disputa pelo Senado nas últimas eleições, chegou a afirmar que a iniciativa pretendia desgastar o movimento liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Igor Franco (Podemos) também esteve entre os críticos da proposta.
O detalhe mais revelador é que o requerimento não fazia qualquer referência a Bolsonaro, ao PL ou a qualquer corrente partidária. Tratava exclusivamente do reconhecimento a torcidas organizadas que se identificam com a luta contra o fascismo.
A reação dos parlamentares expôs uma contradição política difícil de explicar. Afinal, se a homenagem era dirigida a movimentos antifascistas, por que vereadores bolsonaristas se sentiram atingidos? Para setores progressistas da política goianiense, a resposta veio dos próprios representantes do bolsonarismo, que, ao interpretarem o antifascismo como uma manifestação contrária ao seu movimento, estabeleceram espontaneamente uma associação que sequer constava da proposta.
Isso não significa, por si só, uma confissão de identidade fascista, mas revela o desconforto de parte do bolsonarismo diante de uma bandeira historicamente vinculada à defesa da democracia e ao combate ao autoritarismo.
O episódio deixa uma pergunta politicamente incômoda: se o bolsonarismo se apresenta como defensor da liberdade e da democracia, por que seus representantes enxergam uma homenagem ao antifascismo como uma provocação contra si mesmos?
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