A possível fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, caso confirmada, representará mais do que uma tentativa de escapar da Justiça: será uma demonstração de fragilidade moral e de incapacidade de enfrentar as instituições que o próprio bolsonarismo tanto desafia. A notícia de que o senador teria deixado o Brasil ganhou força nas primeiras horas do dia, em meio ao silêncio diante das tentativas de contato de aliados e jornalistas.
O desaparecimento ocorre após a notícia de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão de seus passaportes. Flávio é alvo de investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e outros crimes envolvendo o Banco Master e desvios no INSS.
Derrotado por Lula nas eleições presidenciais, inicialmente ameaçou desconhecer o resultado das urnas, mas recuou, aconselhado por aliados. Garantiu, ainda, que permaneceria no Brasil para liderar a oposição e negou qualquer intenção de fugir. Se a saída do país for confirmada, suas palavras terão sido desmentidas pelos próprios atos.
A eventual fuga não equivale juridicamente a uma confissão de culpa, mas produziria um efeito político devastador: reforçaria a percepção de que Flávio Bolsonaro prefere escapar ao escrutínio da Justiça a demonstrar sua inocência. Seria a expressão mais contundente da contradição de um grupo político que transformou o discurso da coragem, da honra e da moralidade em bandeira eleitoral, mas cujos integrantes, diante de investigações, frequentemente denunciam perseguição.
Nos Estados Unidos, Flávio poderia se juntar ao irmão Eduardo Bolsonaro, também envolvido em controvérsias judiciais, enquanto o pai, Jair Bolsonaro, permanece preso no Brasil, condenado pela trama golpista. A alegada disposição de Donald Trump de conceder asilo ao senador acrescentaria uma dimensão internacional ao episódio.
O contraste seria constrangedor: quem pretendia governar o Brasil, mas não conseguiu conquistar a confiança da maioria dos eleitores, agora estaria buscando proteção fora do país para não enfrentar a própria Justiça. Não seria uma confissão criminal, mas uma derrota moral e política de enormes proporções.
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