A candidatura de Marconi Perillo (PSDB) ao Palácio das Esmeraldas carrega um dilema estrutural que beira o paradoxo político: o mesmo passado que mantém o ex-governador competitivo é também aquele que limita sua capacidade de avançar. Com quatro mandatos no currículo, Marconi possui recall e um eleitorado consolidado. Mas lidera com folga a rejeição, chegando a mais de 40% em levantamentos recentes — um patamar que impõe uma barreira relevante a qualquer projeto majoritário.
Esse paradoxo ganhou contornos ainda mais claros nas redes sociais na última semana. Ao tentar estabelecer uma comparação entre seus governos e o atual ciclo governista na segurança pública, Marconi abriu uma janela para que adversários e internautas revisitassem justamente um dos períodos mais sensíveis de suas administrações. Em vez de o debate permanecer restrito à narrativa proposta pelo tucano, voltaram à superfície indicadores de criminalidade daquele período e decisões controversas adotadas na área.
Entre elas, foram lembrados o Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (Simve), que criou a figura do policial temporário, depois declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e a chamada 3ª classe da Polícia Militar, figura extinta pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), logo nos primeiros meses do seu primeiro mandato.
O movimento mostra a complexidade da estratégia eleitoral de Marconi Perillo: para se apresentar como alternativa, o tucano precisa recorrer à própria trajetória e reivindicar o legado de suas administrações. Mas cada vez que abre esse arquivo, também permite que seus críticos retirem dele episódios que ajudam a explicar sua elevada rejeição.
You must be logged in to post a comment Login