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Política

Processo contra Márcio Corrêa expõe erro político de Wilder Morais

Ao ameaçar expulsar um prefeito eleitoralmente relevante – o prefeito de Anápolis é o mais bem avaliado de Goiás e o 3º do país – o presidente do PL corre o risco de reduzir, em vez de ampliar, o espaço da sua própria legenda

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Senador Wilder Morais é presidente estadual do PL e candidato ao governo de Goiás

A decisão de Wilder Morais, presidente estadual do PL goiano, de levar adiante um processo que pode expulsar o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, tem todos os ingredientes de um erro estratégico em plena campanha eleitoral.

Em vez de administrar divergências, o senador abre guerra contra o prefeito da terceira maior cidade de Goiás e oferece ao próprio partido uma crise pública justamente quando deveria buscar unidade e ampliar sua base política. Corrêa respondeu à ofensiva colocando o presidente estadual da legenda no banco dos réus partidário: se apoiar Daniel Vilela (MDB) configura infidelidade, por que o mesmo rigor não seria aplicado a Wilder?

O prefeito cita a ausência do senador na votação que rejeitou Jorge Messias para o STF, votações coincidentes com posições do governo Lula e lembra até que a articulação inicial em torno da indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo teria passado por encontro promovido por Wilder em seu barco, no Lago Paranoá.

A reação transforma o processo disciplinar, pensado como demonstração de autoridade, em vitrine para as próprias contradições do presidente do PL goiano. O custo político pode ser ainda maior. Corrêa não rompeu com o PL: mantém apoio a Gustavo Gayer para o Senado e Major Vitor Hugo para deputado federal e sustenta que sua escolha por Daniel decorre da gratidão pelo apoio recebido em 2024 — eleição na qual, segundo ele, o próprio Wilder tentou impedir sua filiação ao partido.

Se a estratégia era enquadrar um dissidente e demonstrar força, o efeito pode ser o inverso: Wilder alimenta uma guerra interna, fornece munição aos adversários e desloca o foco de sua candidatura para mais uma crise doméstica. Em campanha, partidos competitivos procuram somar. O PL de Wilder, ao contrário, ameaça expulsar um de seus principais prefeitos.

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