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Política

Cinco anos sem Iris, o MDB colhe os frutos de sua última articulação

A visão estratégica do ex-governador foi decisiva para a aliança entre Caiado e Daniel Vilela, consolidando uma articulação que mudou os rumos da política goiana

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Do alto da janela do seu gabinete, no 5º andar do Paço, Iris contempla Goiânia, cidade que ele administrou por quatro mandatos

Cinco anos após sua morte, ocorrida em 9 de novembro de 2021, Iris Rezende Machado, um dos maiores líderes da história política de Goiás, vê seu MDB, partido ao qual dedicou 56 anos de militância, retornar ao topo do poder estadual. Embora sua contribuição decisiva para a construção da aliança entre Ronaldo Caiado e Daniel Vilela tenha sido ofuscada pelo equívoco homérico de tentarem associar seu legado a um palanque ideológico que jamais dialogou com sua trajetória política, administrativa e democrática, a história não pode ser reescrita.

Foi Iris quem lançou as bases para o reencontro do MDB com o poder, num processo iniciado em 2021 e consagrado pela maiúscula vitória de Daniel Vilela nas eleições de outubro. Mais do que uma conquista eleitoral, a ascensão do emedebista ao governo representa, talvez, o último grande triunfo político de Iris, consumado cinco anos depois de sua partida.

Aposentado da vida pública desde o fim de 2020, Iris transformou-se numa espécie de conselheiro informal de Caiado. Entre cafés, conversas frequentes e avaliações sobre os rumos de Goiás, ajudou a amadurecer a aliança entre o MDB e o então DEM, frustrada em 2018, mas concretizada no momento em que sua experiência política indicava ser o mais adequado.

Profundo conhecedor dos bastidores do poder, Iris tinha convicção de que Daniel Vilela reunia condições para devolver ao MDB o protagonismo perdido. Não viveu para testemunhar o resultado de sua articulação, mas demonstrou extraordinária capacidade de antecipar os acontecimentos.

A trajetória de Iris Rezende, entretanto, é infinitamente maior que sua última articulação política. Vereador, deputado estadual, quatro vezes prefeito de Goiânia, duas vezes governador, senador e ministro da Justiça e da Agricultura, construiu um legado de coragem, resiliência, compromisso democrático e extraordinária identificação popular.

O “homem dos mutirões” fez da habitação popular, da inclusão social e da proximidade com os mais humildes marcas indeléveis de sua gestão. Defensor da ciência, das universidades, da vacinação e da redemocratização brasileira, Iris jamais precisou recorrer ao extremismo para conquistar respeito e liderança.

Sua história pertence a Goiás, não a conveniências eleitorais ou apropriações ideológicas. Cinco anos depois de sua morte, a vitória de Daniel Vilela reafirma uma verdade incontornável: Iris Rezende não apenas ajudou a escrever o passado político de Goiás. Teve, sobretudo, a lucidez de desenhar também parte de seu futuro.

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